Há mais ideias feitas do que factos à volta da importação de carros da Alemanha. Juntámos as mais comuns, com a explicação de porque cada uma delas é só meia verdade, e o link para o guia onde já explicámos o tema em detalhe.
“É sempre mais barato comprar na Alemanha”
Depende do modelo. Em carros comuns e económicos, a diferença pode ser pequena ou desaparecer depois de somar transporte e legalização. Costuma compensar mais em gamas média-alta e versões pouco comuns em Portugal.
“Quanto menos km, melhor negócio”
Quilometragem muito baixa associada a poucos meses de matrícula pode enquadrar o carro como meio de transporte novo para efeitos de IVA, o que muda a conta de forma significativa.
“A legalização é tratada do início ao fim por quem importa”
Não existe esse serviço “chave na mão”. A documentação é tratada em articulação com parceiros certificados, mas a inspeção (IPO) e as chapas de matrícula são sempre da responsabilidade do proprietário.
“Sem COC, não há nada a fazer”
Há uma via mais lenta e mais cara (Receção Individual junto do IMT), mas não impossível. O que muda é o prazo e o custo, não a viabilidade.
“Posso conduzir com a matrícula alemã o tempo que precisar”
A matrícula de exportação alemã (Ausfuhrkennzeichen) tem uma validade limitada, indicada na própria placa, com seguro associado a esse período.
“Comprar de particular é sempre mais arriscado que num stand”
Exige mais cautela, não é automaticamente pior. Um particular não tem as mesmas obrigações de garantia legal de um profissional, por isso confirmar documentos e histórico é ainda mais importante.
“Os elétricos e PHEV não pagam impostos nenhuns”
Os elétricos ficam isentos de ISV, mas continuam a pagar transporte e legalização. Os PHEV só têm o desconto de 75% quando cumprem autonomia elétrica e CO2 concretos, não por serem híbridos plug-in em geral.
“Uma inspeção pré-compra elimina qualquer surpresa”
Reduz muito o risco, mas não substitui a garantia do vendedor. Componentes como caixa de velocidades ou embraiagem só se avaliam com o carro em levantamento.
“Se correr mal, ninguém responde pelo carro”
O contrato é celebrado com o stand alemão, que responde pela garantia legal aplicável. Um intermediário representa o cliente no processo, mas não substitui essa responsabilidade contratual.

